Um dos momentos mais decisivos da minha trajetória na Diretoria de Descaracterização de Barragens ocorreu durante a consolidação e ampliação do escopo da Gestão de Contratos, quando assumi simultaneamente responsabilidades críticas ligadas a infraestrutura, logística, mobilização, alimentação e mitigação de riscos contratuais, em um ambiente operacional sensível, com elevado nível de exposição financeira e reputacional para a empresa. O desafio era multidimensional: projetos em execução contínua, contratos sob alta pressão por prazo e escopo, histórico relevante de pleitos, indicadores operacionais deteriorados (especialmente mobilização), além de equipes diversas, recém-integradas e ainda em formação. A inércia ou a repetição de modelos tradicionais trariam impactos diretos à segurança, aos custos e à governança do projeto. A Decisão: Agir com Coragem Diante desse cenário, foi necessário agir com coragem institucional, questionando práticas estabelecidas e assumindo decisões que, embora desconfortáveis no curto prazo, eram fundamentais para a sustentabilidade do negócio. Destaco, em especial: O enfrentamento técnico e estruturado de contratos historicamente passivos à geração de pleitos; A priorização de decisões baseadas em dados e risco, mesmo quando contrariavam percepções consolidadas ou expectativas pontuais; A condução de conversas difíceis com fornecedores e interfaces internas, preservando o relacionamento, mas sem abrir mão da defesa técnica e econômica da VALE. Essa postura exigiu abrir mão da necessidade de consenso pleno, assumindo o papel de liderança (interina) e responsável por decisões impopulares, porém alinhadas à estratégia e à integridade dos projetos. A Criatividade: Construir o Novo em Meio ao Caos Paralelamente, foi necessário agir com criatividade, não apenas para resolver problemas, mas para mudar a lógica de atuação da área. Nesse contexto, idealizamos e implementamos, junto às equipes, soluções inéditas ou pouco exploradas até então, como: A criação de modelos de monitoramento contratual contínuo, com análise de saúde financeira já no D+1 da assinatura; A implantação de práticas preventivas de riscos contratuais, reduzindo drasticamente a exposição a pleitos antes mesmo de sua formalização; A estruturação de fluxos, matrizes RASCI e rituais de governança que trouxeram clareza, agilidade e previsibilidade às tomadas de decisão; A integração do olhar técnico-contratual com aspectos humanos e operacionais (mobilização, alimentação, transporte), entendendo que risco contratual também nasce da operação mal assistida. O resultado dessa abordagem foi mensurável com a redução expressiva de KPIs críticos, mitigação e recuperação de valores relevantes, melhoria do clima das equipes e fortalecimento da credibilidade da gestão contratual junto às áreas clientes.

Matheus Machado