Quando iniciei minha jornada na DB existia um fluxo de realização de etiloteste (bafômetro) que carregava muitas inconsistências. Como era recém-chegada, estranhei muito a forma que o processo era conduzido, a falta de empatia e cuidado com os envolvidos, sobretudo motoristas que, mesmo trazendo exames laboratoriais que atestavam um resultado divergente (negativo para consumo de álcool) para testes em que o aparelho acusava como positivo, ainda assim, não eram aceitos. A justificativa era de que o PRO interno da DB estabelecia teste e contraprova no mesmo aparelho. Esse procedimento sequer tinha uma validação das áreas responsáveis na Vale (Jurídico, RT). O fornecedor contratado informava que o teste era apenas para triagem. Participei de alguns comitês, vi situações em que motoristas choravam jurando inocência e que não faziam uso de bebidas alcoólicas. Outros traziam até mesmo questões religiosas, que se conectavam com a honra dessas pessoas. Mesmo com exames de sangue que comprovavam a ausência de álcool, esse item era ignorado pelas partes que, na época, atuavam no processo. Decidi não aceitar aquela situação e mover todas as áreas necessárias para uma mudança. Envolvi Jurídico, Relações Trabalhistas, além de outros colegas gerentes na DB que também observaram várias fragilidades naquele processo. Em resumo, o Jurídico atestou falhas consistentes no processo que, inclusive, poderiam trazer um passivo trabalhista grave para a companhia. Houve muita resistência no intuito de impedir que a coisa certa fosse feita. Contudo, outras pessoas me apoiavam na busca por corrigir a rota, em especial Igor Hosken, gerente de SSMA, que foi um grande parceiro. Insisti, persisti e, com ajuda, conseguimos ajustar o fluxo e atuar de forma correta. Me senti leve e feliz, porque acreditava que a companhia precisava fazer o que era certo. Era mais fácil me calar, mas escolhi persistir apesar da dificuldade. Habilidades técnicas: conhecimento de legislação trabalhista, envolvimento dos stakeholders internos e do fornecedor, além da humildade para reconhecer que existiam fragilidades muito claras no processo. Humana: olhar para as pessoas com preocupação genuína e compromisso em fazer sempre o que é certo, independentemente do desconforto. Empatia para reconhecer uma possível injustiça, ouvir todas as partes envolvidas, manter a presunção de inocência até que se prove o contrário e valorizar pessoas que muitas vezes não são ouvidas.

Luciana Ribeiro