Lembro do momento em que recebi o desafio de representar a Diretoria de Descaracterização no Comitê de Crise, constituído por membros do Conselho de Administração, Jurídico, Diretoria de Reparação de Brumadinho e Relação com a Comunidade. Diante desse cenário, foi necessário atuar com coragem e forte senso de dono, assumindo a responsabilidade não apenas pelas entregas da minha área, mas pelo impacto institucional, social e reputacional das decisões. Estruturei minha atuação em três frentes principais: transparência na comunicação, visão integrada do negócio e gestão de riscos institucionais e sociais. Em um ambiente de altíssima pressão, com demandas urgentes e sensibilidade extrema, atuei garantindo clareza e objetividade nas informações de custos, avanço de obras, impactos sociais e institucionais, traduzindo dados técnicos em insumos relevantes para suportar a tomada de decisão em nível estratégico. Ao mesmo tempo, assegurei alinhamento constante com as equipes internas, evitando ruídos e promovendo consistência nas informações reportadas. Um ponto crítico foi a necessidade de equilibrar rapidez na resposta com qualidade e responsabilidade das informações, em um contexto em que decisões tinham impactos diretos na sociedade e na imagem da companhia. Para isso, mobilizei rapidamente a rede de apoio, envolvendo áreas como Engenharia e Implantação, garantindo uma visão multidisciplinar e mais robusta das análises. Do ponto de vista humano, foi essencial exercer inteligência emocional para lidar com um ambiente de alta carga emocional. Pratiquei escuta ativa, empatia e firmeza, conseguindo sustentar um posicionamento técnico consistente, ao mesmo tempo em que reconhecia a complexidade e sensibilidade do momento. Também foi necessário agir com criatividade e adaptabilidade, revisando formas tradicionais de análise e comunicação para tornálas mais ágeis, objetivas e aderentes às necessidades do comitê, que demandava respostas rápidas e bem fundamentadas.

Elaine Cotta