Um momento decisivo em que precisei agir com coragem, equilíbrio emocional e criatividade para superar um grande desafio foi durante um evento N3 prioritário ocorrido em 2025, em Grupo, envolvendo o desplacamento de um talude. Naquele momento, eu estava no Rio de Janeiro, junto com o Cesar Toledo, participando do treinamento do Leadera, quando recebi uma ligação do nosso diretor, Rodrigo Campos, informando sobre a possibilidade de uma fatalidade. Foi um dos momentos mais tensos da minha trajetória. Precisei interromper o Cesar durante o treinamento, comunicar a situação com responsabilidade ao Eduardo Kelly e demais partes interessadas e, ao mesmo tempo, acionar a equipe local para confirmar as informações e verificar as redundâncias necessárias. Até termos a confirmação de que não havia vítimas, vivemos minutos de extrema agonia e tensão. Foi necessário manter o equilíbrio emocional em meio ao caos: primeiro comigo mesma, depois diante da equipe e também no ambiente em que estávamos. Após a confirmação da ausência de vítimas, iniciou-se outro grande desafio: encorajar o time a seguir em frente, aprender com os erros e lidar com críticas, questionamentos e pressões naturais após um evento de grande proporção. A investigação foi conduzida por uma área externa e independente. Foi um processo duro e rigoroso, no qual eu, Cesar, Eduardo, tivemos de agir com muita sabedoria para não desestabilizar a equipe e, ao mesmo tempo, manter uma postura técnica, imparcial, ética e colaborativa junto a 2a linha de defesa e órgãos de fiscalização. Diante da equipe, nosso papel foi filtrar parte dessa pressão, conduzindo as conversas com leveza, transparência e foco no aprendizado. Buscamos transformar um momento difícil em uma oportunidade de amadurecimento coletivo, reforçando que os erros precisavam ser tratados com responsabilidade, mas também com visão construtiva. Posteriormente, tivemos um novo desafio: dar continuidade às obras com o apoio de uma força-tarefa formada por profissionais de outras obras e áreas. A equipe local ainda estava sensível após o evento, e a chegada de novos profissionais poderia ser interpretada como falta de confiança ou competência do time. Por isso, foi necessário trabalhar a humildade, o ego e a comunicação de todos, inclusive os nossos. Recebemos engenheiros, gerentes, 2LDs e profissionais de diferentes áreas para apoiar a continuidade das atividades. Com muito diálogo e transparência, conduzimos esse processo deixando claro que a forçatarefa vinha para somar, apoiar e fortalecer o time local, e não para substituir ou questionar a capacidade técnica de todos envolvidos já na rotina. Ao final, conseguimos superar esse período intenso com aprendizado, união e bons resultados. Acima de tudo, mantivemos o compromisso mais importante: a continuidade segura da Descaracterização da Barragem de Grupo, sem lesão a nenhum profissional. Habilidades utilizadas Técnica: Gestão de crise em evento N3 prioritário. Acionamento e verificação de informações críticas. Apoio técnico durante investigação independente. Continuidade segura das atividades de descaracterização. Humana: Equilíbrio emocional em situação de alta tensão. Comunicação transparente e responsável. Empatia com a equipe local. Capacidade de acolher, encorajar e reenergizar pessoas. Gestão: Liderança em momento de crise. Articulação entre diretoria, equipe local, investigação e força-tarefa. Gestão de pressão, críticas e questionamentos. Condução da força-tarefa com foco em colaboração, humildade e resultado.

Fabiana Souza