Me recordo como se fosse hoje da minha chegada à DB, ainda no início da estruturação da área. Não era exatamente receio, mas a consciência e o respeito por atuar na área da VALE com maior exposição ao risco. Durante 15 anos, estive envolvido na implantação de grandes obras e megaprojetos de capital. Ainda assim, aquele desafio era diferente. Não se tratava apenas de mais um projeto — era um projeto de vida, de propósito, com impacto direto na sociedade. Tradicionalmente, projetos dessa magnitude seguem as melhores práticas de engenharia, passando pelas etapas do FEL, com evolução do projeto do conceitual ao detalhado, suportados por planejamento, orçamentação e, então, a execução. Porém, diante da emergencialidade no início da DB, tivemos que inverter essa lógica: mobilizamos empresas enquanto os instrumentos contratuais ainda estavam sendo estruturados, sem informações completas de orçamento, planejamento ou construtibilidade, e com a engenharia ainda em desenvolvimento. Precisávamos entregar respostas rápidas, com responsabilidade e, acima de tudo, com segurança.Nesse contexto, minha experiência técnica, somada à vivência em gestão e liderança, foi fundamental para direcionar as ações, formar um time coeso e gerenciar contratos em um cenário de grande ineditismo. Porém, mais do que competência técnica, aquele momento exigiu um olhar humano. Aprendi que respeito, empatia e resiliência são pilares essenciais para superar desafios dessa magnitude — especialmente quando lidamos com decisões que impactam diretamente a vida das pessoas. Foi com essa combinação de coragem, criatividade e propósito que conseguimos avançar, mesmo diante de incertezas e pressão constante.